Resenha crítica - O Símbolo Perdido

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Título: The Lost Symbol
Autor: Dan Brown
Ano: 2009
Editora: Sextante

"O Símbolo Perdido", o quinto livro do escritor norte-americano Dan Brown aborda a maçonaria nos Estados Unidos e seus vários símbolos ocultos, bem como os fundadores da nação americana envolvidos com a irmandade.


Confira a sinopse oficial do livro:
“Chamado por seu amigo Peter Solomon para dar uma palestra em Washington, Robert Langdon viaja até a capital americana, mas ao entrar no palco para iniciar a palestra descobre que tudo aquilo foi uma forma de atrair-lo até ali para iniciar uma busca por um antigo portal místico que tornaria possível a Apoteose. (transformação do Homem em Deus). Robert se vê então forçado a colaborar com Mal`akh, vilão que esquematiza todos os passos de Langdon para que este decifre e revele o segredo da Pirâmide Maçônica (lenda maçônica onde estaria guardados os antigos mistérios da humanidade), para que assim Mal`akh tenha acesso ao poder prerrogado pela lenda dos Antigos Mistérios. No desenrolar da trama Robert recebe ajuda de Katherine Solomon, irmã de Peter, que está sendo mantido refém pelo vilão. Katherine é uma pesquisadora de um novo ramo da ciência, a Ciência Noética e, juntos, vão decifrando os segredos escondidos na Pirâmide e se aproximando cada vez mais do grande Símbolo Perdido, palavra que quando entendida daria ao homem um poder sobre-humano.”


Ao iniciar a leitura de “O Símbolo Perdido” tem-se a sensação de que (para aqueles que já leram os outros livros de Dan Brown) a história está se repetindo. Isso, no entanto, não surpreende o leitor mais atento, pois uma das características mais latentes das obras de Dan Brown é justamente a estrutura básica de todas as suas obras, que se repetem (com alguma alteração aqui e ali em cada obra) religiosamente em todos os seus trabalhos. É importante deixar claro, porém, que essa característica não chega a ser um defeito ou uma falta de criatividade do autor, mas sim a simples repetição de uma fórmula que deu muitíssimo certo no estilo literário que o autor segue.

“O Símbolo Perdido” é uma obra relevante em vários sentidos. Acrescenta muito conhecimento ao leitor à medida que o autor descreve as razões que motivam os personagens e o contexto histórico em que a história se desenvolve, incita sua curiosidade (pois quem não correu no “google” para pesquisar sobre as informações mostradas no texto?), é uma obra bem estruturada e mantém de forma natural e fluída a tensão, que cresce com a história até um ponto quase insuportável.

A estrutura da história é outro ponto alto da obra, pois cria as condições de mistério e tensão necessárias que crescem naturalmente ao longo da história e joga o leitor dentro daquele universo repleto de segredos, mentes espetaculares, manipulações e lições históricas que fazem parte da cultura mundial. Uma verdadeira aula de história para aqueles mais curiosos e ávidos por saber mais sobre o mundo.

O desenvolvimento das personagens também é uma característica que enriquece o texto, pois é feita em doses calculadas ao longo da história e fornece ao leitor informações importantes e interessantes a respeito de suas motivações e seus planos, descrevendo meticulosamente cada passo dado de forma a criar na mente do leitor o cenário exato dos acontecimentos. Criando um mosáico aparentemente desconexo de atos, mas que se juntam quase que por mágica para formar um plano bem elaborado e cuidadosamente estruturado. A ambigüidade das personalidades presentes na história também contribui para o clima de tensão, pois o leitor nunca tem certeza de que lado certo personagem está e o que ele pretende com suas ações até que todo o plano geral é revelado.

Assim como nas demais obras de Dan Brown, as inúmeras reviravoltas presentes na história enriquecem a narrativa, impondo ritmo e tensão e criando uma sensação de urgência, prendendo o leitor à narrativa à medida que os segredos são revelados aos poucos. O curto período de tempo no qual a história se passa também contribui para esse ritmo e essa sensação de perigo presente nas seqüências, pois a riqueza com que cada ação é descrita fornece base suficiente para aumentar o clima eufórico da ação.

No entanto a narrativa, que se fixa no real e na cultura mundana para basear a história, às vezes peca pelos excessos e até mesmo bizarrices ao longo da história, fazendo com que o desenvolvimento dos fatos e a importância que a história tem, justamente por se tratar de assuntos que supostamente são reais, se distancie da realidade ao narrar situações que dificilmente poderiam ocorrer ou que soam quase impossíveis considerando o local onde acorrem e os tipos das personagens envolvidas. Esses fatos, mesmo que sejam poucos, tiram um pouco o sentido de veracidade da história e contribui para classificar “O Símbolo Perdido” como um simples, mas bem estruturado, romance sobre os segredos da maçonaria e das sociedades secretas existentes nos EUAs e não como uma referencia sobre o assunto, mesmo que esse não seja o objetivo do autor.

Outro ponto importante a ser destacado na história diz respeito àlguns detalhes sobre as manobras do vilão que são deixadas de lado, talvez, porque o autor não achasse importante para a história, mas que, de certo modo deixa algumas pontas soltas. Exemplo disso é o modo como o vilão consegue se infltrar na fraternidade sem deixar suspeitas e de que modo ele conseguiu atingir o mais alto grau da hierarquia maçonica.

A ciência noética, conceito novo para os leitores e desconhecido para a grande maioria, também é abordada de uma maneira superficial e subestimada, pois apenas os conceitos que seriam aproveitados pela história são expostos e este, expostos de maneira precária pelo autor, deixando dúvidas sobre os resultados da pesquisa e qual razão teria a existência de um laboratório milhonário super-equipado com tecnologia de ponta, visto que boa parte da pesquisa foi sequer citado.
O laboratório de ciência noética criado por Brown também se distancia de algo crível, pois sua concepção o torna praticamente surreal e, nas notas não é citado se ele é real ou não, deixando mais dúvidas sobre a noética do que escalarecendo sua importância na ciência moderna e até mesmo para a história.

No entanto Dan Brown merece crédito também por tentar se distanciar de suas demais obras ao acrescentar elementos inéditos em "O Símbolo Perdido" e colocar Robert Langdon em situações cada vez mais perigosas e improváveis, levando seu personagem ao limite em algumas ocasiões.

"O Símbolo Perdido" é um livro fantástico, intenso, interessante e fascinante. Aborda temas conhecidos, mas  que se escondem debaixo de lendas e teorias, e prende o leitor de uma forma completamente honesta, incitando a imaginação a cada página e dando uma lição histórica a cada capítulo, permeados com momentos de tensão, desespero e ação. É um livro que vale a pena ser lido, entendido e apreciado. E, mesmo que tenha alguns defeitos e tropeços, não deixa de ser uma brande obra de ficção baseada na realidade.

Vamos aguardar sobre novidades de próximos livros do autor.

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