Crítica - O Cavaleiro da Morte

1:22:00 PM

Título original: The Pale Horseman
Editora: Record
Ano: 2009

"Hoje em dia olho os garotos de 20 anos e acho que são pateticamente jovens, mal saídos das tetas de suas mães, mas quando tinha 20 anos eu me considerava adulto"



O segundo volume das "Crônicas Saxônicas" retorna à história do Rei Alfredo e seu esforço para unificar os reinos da Bretanha contra as invasões dinamarquesas no final do século IX.
Uhtred Ragnarson agora é um senhor e possui um castelo, uma mulher e homens para lutarem ao seu lado, mas ele ainda está sobre o manto do rei Alfredo, a quem odeia e por quem é odiado.

Até aquele momento os dinamarqueses já haviam conquistado a Nortúmbria, a Mércia - parte central da ilha e a Ânglia Oriental. Mas ainda faltava o reino mais rico e poderoso entre todos na Ilha,Wessex. Wessex era o reino mais próspero na Ilha entre todos e era governado por Alfredo, O Grande - que viveu entre 849 e 899.

Em uma invasão surpresa, os vikings, comandados por Guthurn atacam o reino e Alfredo e sua familia são obrigados a fugir para uma região pantanosa. E lá Uhtred acaba encontrando o rei Alfredo e de lá eles organizam uma força de defesa, chamada de fyrd. O Fyrd era uma força formada por senhores e homens do campo. Naquela época, na Ilha e assim como em quase toda a Europa, não existiam reino vastos e fortes o bastante para terem os seus próprios exércitos, então havia o fyrd, formado por homens do campo despreparados, sem armas adequadas para a luta e que eram obrigados a abandonar a suas famílias e irem para as guerras as quais eram convocados. O rei Alfredo, dentro do pantano, juntamente com Uhtred, convoca o fyrd esperando afugentar os vikings de suas terras.

Cornwell descreve com detalhes as manobras de Uhtred e Alfredo para retomarem o poder no reino de Wessex depois que os dinamarqueses invadem, e recria de maneira surpreendente uma passagem da história que definiu boa parte do que viria a seguir.

Demonstrando a aspereza daquela época e o sacrificio que cada um tinha de fazer para simplesmente continuar vivendo, o autor mergulha o leitor em um mundo realista, frio e cheio de crenças, fé e manipulações. A guerra assolava a região da Inglaterra e com ela levava a inocência e a paz que havia ali.

"O Cavaleiro da Morte" tem inicio no dia seguinte à batalha que colocou Uhtred sob os olhos de Alfredo e continua a contar a história sob os olhos desse guerreiro dividido entre sua terra e a cultura dos que o criaram como filho.

A construção dos cenários é realizada minuciosamente, com a descrição dos prédios, castelos, campos de batalha e também a forma como eram construídos. Cornwell desenvolve um cenário de forma a jogar o leitor dentro da atmosfera rude e dura daquela época, onde homens lutavam para se manterem vivos e mulheres rezavam para não se tornarem escravas ou prostitutas dos invasores.
As personagens são a síntese daquela época: asperos, guerreiros e tinham poucos objetivos, senão terras, mulheres e prata. Muitos deles são apenas mencionados e, quase nunca, interferem diretamente no curso do herói. Cornwell dá espaço aos personagens fictícios em prol daqueles que são reais para não tentar reescrever a história ao seu modo e, fazendo isso, coloca Uhtred sempre um passo atras ou à frente do curso conhecido da história.

A leitura fluída de "O Cavaleiro da Morte" se mantem por grande parte da história, com alguns altos e baixos, mas sempre mantendo o leitor curioso sobre o que vem a seguir, pois, assim como a própria história, o romance possui muitas reviravoltas.

Pouca atenção porém é dada aos personagens secundários. Sendo que alguns desaparecem durante boa parte da narrativa e seu destino não é revelado, tornando a reaparecerem de maneira abrupta e, algumas vezes, sem a explicação necessária. Mas o que não chega a incomodar ou a comprometer o desenvolvimento da narrativa de forma geral.

"O Cavaleiro da Morte" continua de maneira semelhante o feito do livro anterior. Mostrando o curso da história pelos olhos de quem a viveu e descrevendo com fidelidade cada detalhe daquele mundo bárbaro, perigoso e cruel com a maestria de um escritor que sabe sobre o que está escrevendo.

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